quinta-feira, 6 de março de 2014

“Racismo não é engano, é crime” e a intolerância refletida na “justiça feita com as próprias mãos”!

Nos últimos meses, temos presenciado com indignação inúmeras situações de preconceito, racismo e discriminação que têm chegado aos grandes meios de comunicação e repercutindo intensamente nas redes sociais. São situações que muitas pessoas enfrentam em seu cotidiano e aguentam caladas, discutem com o/a agressor/a e chegam, em alguns casos, a registrar boletins de ocorrência por tratar-se de um crime. No entanto, o mais frequente, é que quando se consegue fazer a queixa, o crime de racismo é registrado como injúria e é como se tivesse sido em vão tornar racismo um crime inafiançável. Difícil é conseguir mencionar algum caso em que o réu respondeu ao crime de racismo na prisão – responde por injúria, em liberdade e a sentença acaba convertida em multa ou prestação de serviços comunitários.
Tivemos alguns casos notórios nos últimos meses, um deles é o do vendedor, ator e recém-formado em Psicologia Vinícius Romão. Ficou preso por 16 dias em um presídio e o caso ganhou repercussão, vindo à tona alguns equívocos na sua prisão e o fato de ter sua comunicação com advogado dificultada. Se não fosse a intensa campanha de familiares e amigos nas redes sociais e o fato de ter tido uma participação em uma produção global, talvez estivesse como muitos outros detentos, presos como suspeitos devido à “confusão” das vítimas ao considerar que negros são muito parecidos, são abordados em situações “suspeitas”. Esse suposto engano não teria resultado em prisão se o álibi de Vinícius tivesse sido devidamente checado. Ele acabara de sair do trabalho. A descrição de suas vestimentas não correspondia às declaradas pela vítima. Inúmeros “suspeitos” sem ficha criminal, com residência fixa, formação universitária, “boa família”, vínculos com a comunidade e carteira de trabalho assinada recebem o benefício de responder em liberdade pela acusação. Nada disso foi considerado e o que mais choca é pensar em quantos outros “Vinícius” estão no sistema prisional por semelhantes “enganos”. Quantos “Vinícius”, “João”, “Pedro”, “Paulo”estão em presídios aguardando julgamento por anos, sem advogado designado e, pior, são inocentes! Há também os culpados que já cumpriram sua pena e continuam a amargar anos aguardando que chegue a sua vez de ter o caso revisado para ganhar a liberdade e, com sorte, tentar um novo começo, sabendo as dificuldades de ressocialização a partir de um sistema penitenciário falido que só faz despertar o que há de pior no ser humano (condições insalubres pela superlotação, falta de higiene e, em muitos casos, ociosidade pela impossibilidade de trabalhar e estudar em algumas unidades).
E continuamos a nos deparar com pessoas amarradas em postes depois de linchamento por serem suspeitas de algum crime. Houve um caso de espancamento que resultou em morte por suspeita de estupro em que se confirmou que o homem linchado era inocente. Por isso, a justiça tem seus caminhos: averiguação, investigação, julgamento. Quem são esses que se julgam no direito de julgar outra pessoa. Temos instituições e pessoas capacitadas e pagas para essas funções. E a premissa de “todos são inocentes até prova em contrário” está sendo ignorada e, com certeza, resultando em diversos crimes. Esses que se julgam justiceiros estão cometendo crimes de lesão corporal, agressão, tortura e tentativa de homicídio. Logo, devem ser identificados e encaminhados aos órgãos da lei para responderem por seus atos. Já que clamam por justiça, que ela seja feita! Há uma reação desproporcional e de extrema violência dirigida geralmente a “suspeitos” negros supostamente envolvidos em assaltos. É inútil mencionar a quantidade de crimes hediondos cometidos por pessoas de classe média alta e da elite que são “perdoados” facilmente pela opinião pública. Só para lembrar alguns: os jovens que queimaram o indígena Galdino em Brasília. A opinião pública de modo geral aceitou que eles o confundiram com um           “mendigo” – ou seja, outro ser humano, certo? – e a juíza sensibilizou-se e disse que poderia ter sido um filho deles. Detalhe: sensibilizou-se com os agressores, com jovens que pensaram em se divertir colocando fogo em pessoas. E tem um caso mais recente. Thor Batista, com um número excessivo de pontos na carteira de habilitação – ou seja, deveria ter perdido a habilitação de motorista – atropelou um ciclista. Como ele não ficou preso após esse homicídio, algum justiceiro o prendeu em algum poste por uma trave de bicicleta? Sequer pensaram nisso? Não. Deixaram que a Justiça decidisse. Mas alguns supostos assaltos (já que não foram julgados ainda) causaram tanta indignação que alguns “cidadãos de bem” tem defendido que a justiça seja feita pelas próprias mãos. E as polêmicas estão aí: com justificativas prós (mesmo que apoiadas em argumentos pífios e contras.
Fonte da imagem: opiodopovo.wordpress.com

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

20 de Novembro – Dia da Consciência Negra! E a Consciência Humana?

Há algum tempo venho observando e acompanhando a reação das pessoas na proximidade do dia 20 de Novembro. Os posicionamentos são diversos, mas é interessante a conclusão: com base no senso comum, a maioria das pessoas não compreende o significado dessa data e, pior, considera uma inutilidade, ou ainda, um desperdício para a economia do país. Um feriado, tão próximo do período das festas de fim de ano... Engraçado, pois ninguém questiona que um Estado Laico tenha tantos feriados religiosos, católicos somente. O comércio deixa de faturar milhões e os brasileiros não vão trabalhar... Para quê?
Então, vamos a uma das alegações presentes nas redes sociais: “não precisamos de um dia de consciência negra, branca, amarela, mas de 365 dias de consciência humana”. Lindo! Comovente! Vou entender que quem usa esse argumento se diz “sem preconceitos” e acredita que esse tipo de distinção só acirra o racismo e a discriminação. Arrá! Portanto, admite que o racismo existe?

Pois bem! Quem é negro não precisa de televisão, jornal ou Internet pra saber disso. Descobre na infância, nas brincadeiras com os coleguinhas do bairro... No primeiro conflito, os coleguinhas vão te lembrar que VOCÊ É DIFERENTE. Não preciso nem mencionar os apelidos, os xingamentos, pois são feridas que jamais cicatrizam. E isso não é bullying! Mas esses coleguinhas não são racistas, ninguém nasce racista, a sociedade é racista, logo...
Aí você vai crescendo e percebendo que seus coleguinhas chegam àquela fase de se apaixonar... “Fulano gosta de fulana” e etc. Mas ninguém gosta de você... “Você é legal, mas...” A adolescência chega: as moças se esforçam para ficar bonitas, isto é, aproximar-se do padrão irreal de beleza que temos e os rapazes começam a ser escolhidos “aleatoriamente” para as revistas policiais. Alguns já percebem mais cedo que os seguranças das lojas e supermercados lhes dispensam uma atenção toda especial em seus momentos de compras... Não é uma sensação de segurança que surge, mas um incômodo por ser sempre considerado suspeito!
Ah, e tem aqueles que vão perdendo os amigos de forma violenta. “Foi confundido com bandido”, “Fez um movimento brusco”, “Pôs a mão no bolso e o policial pensou que fosse sacar uma arma”, “Estava em atitude suspeita”... Calma! Isso é só um detalhe: é que um adolescente negro tem 3,7 vezes mais chances de ser vítima de homicídio. Então, pode acontecer...
Há alguns anos, um/a jovem negro/a tinha pouquíssimas chances de chegar ao Ensino Superior. Alguns escorregavam pelo funil e eram tratados como exemplo de que “é só se esforçar”. O funil mostrava que, ao longo da escolarização, o/a negro/a ia desaparecendo do sistema de ensino e um percentual baixo concluía o Ensino Médio. Várias são as causas, uma delas é a evasão por necessidade de trabalhar e complementar a renda familiar por estar nos piores indicadores sociais do país; seus pais ganham menos do que os pais de seus coleguinhas - segundo o IBGE/2013, a população economicamente ativa (PEA) branca possui rendimento médio 74,2% superior à negra (preta e parda). Outra é a repetência ou indisciplina, pois você vai à escola e tem que engolir em seco quando o/a professor/a te chama de “moreno/a”, com medo de ofender e só lembra de seus ancestrais e sua história no dia 13 de maio quando, em 1888, foram libertados após mais de 300 anos de trabalho escravo. Nossa, quanto tempo de passividade, não? É que na escola ninguém te conta sobre os heróis, o processo de resistência...

Aliás, o dia 20 de Novembro é bastante importante nesse sentido, pois ressalta não somente a figura de Zumbi e o Quilombo de Palmares, mas possibilita lembrar todos/as os/as negros/as que, ao longo de nossa História, nos trazem orgulho. Logo, o dia 20 de Novembro exalta a Consciência Negra, esfacelada por séculos e mostra-se como uma oportunidade para que os/as não-negros/as também conheçam essa face que também é da sua História, é da História da Humanidade. Lembra da consciência humana?

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O racismo da Rede Globo

Rede Globo faz chacota do processo de abolição da escravidão em pleno Fantástico - o suposto show da vida! 

Leia mais em:http://negrobelchior.cartacapital.com.br/2013/11/04/o-fantastico-racismo-da-rede-globo/

Pra quem teve a sorte de não assistir, mas quer entender melhor: http://g1.globo.com/fantastico/videos/t/edicoes/v/bau-do-bau-do-fantastico-entrevista-princesa-isabel-sobre-a-lei-aurea/2931401/

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

31 de Outubro - Dia do Saci

"O Dia do Saci consta do projeto de lei federal nº 2.762, de 2003 (apensado ao projeto de lei federal nº 2.479, de 2003), elaborado pelo Chico Alencar, (PSOL - RJ) e Ângela Guadagnin (PT - SP), com o objetivo de resgatar figuras do folclore brasileiro, em contraposição ao "Dia das Bruxas", ou Halloween, de tradição cultural celta. Propõe-se seja celebrado em 31 de Outubro.
Anteriormente, leis semelhantes foram aprovadas pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e na Câmara Municipal de São Paulo. O Estado de São Paulo oficializou a data com a Lei nº 11.669, de 13 de janeiro de 2004. Outros dez municípios paulistas, além da capital, já haviam feito o mesmo: São Luiz do Paraitinga (onde a festa dedicada ao saci dura quase duas semanas), São José do Rio PretoGuaratinguetá e Embu das Artes. Em municípios de outros Estados brasileiros, o dia do Saci foi oficializado em Vitória (Espírito Santo)Poços de Caldas e Uberaba (Minas Gerais); Fortaleza e Independência (Ceará)".
Fonte: Wikipédia


"Quem é o saci 
O Saci-Pererê é um dos personagens mais conhecidos do folclore brasileiro. Possuí até um dia em sua homenagem: 31 de outubro. Provavelmente, surgiu entre povos indígenas da região Sul do Brasil, ainda durante o período colonial (possivelmente no final do século XVIII). Nesta época, era representado por um menino indígena de cor morena e com um rabo, que vivia aprontando travessuras na floresta.
Porém, ao migrar para o norte do país, o mito e o personagem sofreram modificações ao receberem influências da cultura africana. O Saci transformou-se num  jovem negro com apenas uma perna, pois, de acordo com o mito, havia perdido a outra numa luta de capoeira. Passou a ser representado usando um gorro vermelho e um cachimbo, típico da cultura africana. Até os dias atuais ele é representado desta forma. 
O comportamento é a marca registrada deste personagem folclórico. Muito divertido e brincalhão, o saci passa todo tempo aprontando travessuras na matas e nas casas. Assusta viajantes, esconde objetos domésticos, emite ruídos, assusta cavalos e bois no pasto etc. Apesar das brincadeiras, não pratica atitudes com o objetivo de prejudicar alguém ou fazer o mal. 
Diz o mito que ele se desloca dentro de redemoinhos de vento, e para captura-lo é necessário jogar uma peneira sobre ele. Após o feito, deve-se tirar o gorro e prender o saci dentro de uma garrafa. Somente desta forma ele irá obedecer seu “proprietário”. 
Mas, de acordo com o mito, o saci não é voltado apenas para brincadeiras. Ele é um importante conhecedor das ervas da floresta, da fabricação de chás e medicamentos feitos com plantas. Ele controla e guarda os segredos e todos estes conhecimentos. Aqueles que penetram nas florestas em busca destas ervas, devem, de acordo com a mitologia, pedir sua autorização. Caso contrário, se transformará em mais uma vítima de suas travessuras. 
A crença neste personagem ainda é muito forte na região interior do Brasil. Em volta das fogueiras, os mais velhos contam suas experiências com o saci aos mais novos. Através da cultura oral, o mito vai se perpetuando. Porém, o personagem chegou aos grandes centros urbanos através da literatura, da televisão e das histórias em quadrinhos.  
Quem primeiro retratou o personagem, de forma brilhante na literatura infantil, foi o escritor Monteiro Lobato. Nas histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo, o saci aparece constantemente. Ele vive aprontando com os personagens do sítio. A lenda se espalhou por todo o Brasil quando as histórias de Monteiro Lobato ganharam as telas da televisão, transformando-se em seriado, transmitido no começo da década de 1950. O saci também aparece em várias momentos das histórias em quadrinhos do personagem Chico Bento, de Maurício de Souza.
Dia do Saci
Com o objetivo de diminuir a importância da comemoração do Halloween no Brasil, foi criado em caráter nacional, em 2005, o Dia do Saci ( 31 de outubro). Uma forma de valorizar mais o folclore nacional, diminuíndo a influência do cultura norte-americana em nosso país. 
Curiosidade:
- O Saci-Pererê é o mascote do time de futebol Sport Club Internacional de Porto Alegre."
Fonte: www.suapesquisa.com
Imagem: imagens.us

Resistência ao Halloween 
"De um lado, uma data com séculos de história e tradições, mas que veio "importada" ao nosso país. Do outro, uma reação patriótica surgida há menos de uma década para exaltar nosso folclore. No dia 31 de outubro, os "oponentes" desta disputa não-oficial são o Halloween (ou "Dia das Bruxas"), tradicional feriado dos Estados Unidos e de outros países de língua inglesa, e o Dia do Saci, que busca chamar atenção para nosso mito maior e outras lendas nacionais pouco difundidas hoje em dia.

O Dia do Saci é uma iniciativa de entusiastas da cultura brasileira para convidar as pessoas a conhecer e celebrar as criaturas míticas nacionais em vez das estrangeiras. "O Halloween tem uma história que respeitamos, mas muitos brasileiros comemoram a data sem ao menos saber o que é. Escolhemos o dia 31 de outubro de propósito mesmo para marcar uma resistência a isso e dar mais importância ao que é nosso", explica o fundador da Sociedade dos Amigos do Saci (Sosaci), Mário Cândido. A organização conta hoje com 1.100 membros.

Misto de brincadeira e confraria, a Sosaci foi criada em 2003 entre pessoas que estudam o saci e mitos afins, ou mesmo que já "tiveram contato" com a entidade de uma perna só. "Alguns associados juram já ter visto", brinca Cândido. Naquele mesmo ano, dois projetos de lei da autoria de Ângela Guadagnin e Aldo Rebelo - atual ministro do Esporte - foram propostos para instituir o Dia do Saci no calendário oficial, mas permanecem arquivados.
No entanto, o Estado de São Paulo oficializou a data com a Lei nº 11.669, de 13 de janeiro de 2004. Outros dez municípios fizeram o mesmo: São Paulo, São Luiz do Paraitinga, São José do Rio Preto, Guaratinguetá e Embu das Artes (SP); Vitória (ES); Poços de Caldas e Uberaba (MG); e Fortaleza e Independência (CE). Dentre estas, São Luiz do Paraitinga é a que faz a maior festa dedicada ao saci. A programação que começou em 25 de outubro e vai até 6 de novembro inclui exposição, shows, oficinas e uma gincana. O site da prefeitura da cidade traz mais informações sobre a festa. 

(...)

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Igualdade de gêneros

"Igualdade entre meninos e meninas significará, no futuro, igualdade entre homens e mulheres. Você ainda acha que a cor azul é só para os meninos e a rosa, só para as meninas? Na sua casa, após o almoço de domingo, as mulheres vão limpar a cozinha enquanto os homens vão ver televisão? Se você respondeu positivamente a essas perguntas, então está na hora de sua família reavaliar alguns conceitos e costumes.

A educação para a chamada igualdade de gêneros ou, em outras palavras, a igualdade entre homens e mulheres, é uma tarefa que deve começar em casa. Crianças que aprendem que meninos e meninas devem ter direitos, deveres e oportunidades iguais serão adultos que saberão respeitar o outro, independentemente do fato de ser homem ou mulher.

A igualdade de gêneros é considerada uma das bases para construir uma sociedade com menos preconceito e discriminação. "A igualdade de gêneros é fundamental para as sociedades democráticas e igualitárias. Muita coisa mudou desde a década de 1970, quando as mulheres entraram massivamente para o mercado de trabalho, mas ainda existem muitas disparidades. Por exemplo, as estatísticas nos mostram que as mulheres ainda têm salários menores que os dos homens e ganham 70% do que eles ganham, em média", afirma Eleonora Menicucci, ministra-chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.

Para combater desigualdades como essa, a educação é uma base importantíssima. "Para a construção de uma sociedade baseada na igualdade precisamos que esse princípio seja inserido na educação, tanto na escola quanto em casa. A educação tem o poder de ajudar a mudar os valores de uma sociedade", afirma a ministra."

Leia a matéria na íntegra e conheça as orientações para educar para a igualdade entre os gêneros no  link: http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/igualdade-genero-756416.shtml?utm_source=redesabril_educar&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_educar

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Relato sobre a Conferência com Ericka Huggins (ex-Black Panthers Party) na PUC – SP

All Power to the People!
Serenidade e sabedoria… Acredito que estas duas palavras resumem a Conferência de Ericka Huggins, dos Panteras Negras intitulada “Movimentos Sociais nos Estados Unidos da América: o legado global do Programa de Sobrevivência Comunitária do Partido dos Panteras Negras (Black Panters Party)”.

Para começar, Ericka cumprimentou a plateia com um “boa noite” em português e demonstrou por diversas vezes o que é não estar centrado/a somente em si próprio/a. Pediu às pessoas sentadas que tivessem lugar vago ao lado que erguessem o braço para que quem estivesse em pé pudesse se acomodar melhor. Preocupou-se com o calor do ambiente lotado e abafado e pediu que ligassem os ventiladores. E, ainda, colocou água no copo e quando todos/as pensavam que era para ela, Ericka estendeu o copo ao tradutor que demonstrou surpresa por tamanha gentileza.

Ericka, nessa passagem de duas semanas pelo Brasil, está visitando universidades, assentamentos e, por meio de conferências, está conhecendo mais do Brasil e de seu povo. Contando sua história, sua trajetória, imbricada na história e trajetória dos Panteras Negras. Mostrou grande simpatia e bom humor e fez um belo relato partindo de sua infância, momento em que descobriu o racismo. Cresceu em uma cidade em que a maioria da população era negra e não entendia porque brancos e negros, moravam em lugares diferentes, mesmo ambos sendo pobres. Não entendia porque crianças brancas cuspiam nela, sem que nada tivesse feito. Perguntou à mãe, que lhe explicou... Falou sobre a escravidão, sobre o racismo, sobre o reverendo Martin Luther King. Em uma grande marcha na adolescência, conheceu os Panteras Negras e passou a fazer parte.
Segundo Ericka, os Panteras Negras tinham em sua insígnia: “All Power to the People”, isto é, apesar de ser uma organização negra, compreendiam que a opressão impunha outras barreiras, além da cor da pele, e queriam que todos, sem exceção, tivessem voz.


Foi muito além dos estereótipos que o movimento representa: homens armados, moda, cabelo black power... Mas uma organização que acolhia homens, mulheres e crianças e tinha como intuito servir à comunidade e não ditar o que ela deveria querer. Desse modo, houve um intenso trabalho social voltado para as necessidades apontadas: roupas, comida, escola... Os Panteras Negras organizaram escolas, campanhas de distribuição de alimentos, criaram clínicas médicas, dentre outras ações, sem um único centavo do governo. Seus membros foram perseguidos, assassinados, presos ou exilados e o movimento foi criminalizado e destruído em 1982, mas seu legado ainda pode ser visto e sentido, não somente nos Estados Unidos da América, mas no Brasil e em outras partes do mundo.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Excertos para reflexão sobre educação e currículo

"... o pensamento educacional brasileiro é inflexivelmente machista e patriarcal. Paradoxalmente, a docência e o magistério de primeiro e segundo graus são atividades predominantemente femininas, mas o pensamento sobre a educação é hegemonicamente masculino". Tomaz Tadeu da Silva (1995)

"A crítica do etnocentrismo e do racismo, assim como a do machismo, apresenta uma oportunidade concreta aos/às educadores/as para começar a interromper aqueles processos de reprodução e perpetuação de relações de poder num dos locais onde eles se apresentam de forma mais constante e eficaz: na escola e no currículo". Tomaz Tadeu da Silva (1995)

Referência: 
SILVA, Tomaz Tadeu e MOREIRA, Antonio Flavio Moreira (orgs). Territórios Contestados: o currículo e os novos mapas políticos e culturais. Petrópolis, Vozes, 1995.