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domingo, 29 de maio de 2011

Relato de prática - 1

Era o ano de 2005 em uma escola pública municipal de Santo André em que eu trabalhava com uma turma de 2º ciclo inicial (atualmente, 4º ano do Ensino Fundamental) e uma coisa me incomodava naquele grupo de crianças... quase todo mundo tinha apelido e o detestava... Por ser o mais alto, por ser o mais baixo, por ser mais educado (???), enfim, toda a diferença provocava um desconforto, um conflito...
Eu assumi esse grupo no último dia do 1º bimestre, era uma escola que não tinha tantos alunos negros e não tinha nenhuma professora negra... Aquele ar de estranhamento inicial dos pais e até dos alunos já era esperado, mas foi um ano muito proveitoso para ambos.
Mas aquela "dificuldade" em lidar com a diferença, com o diverso, ainda me incomodava... Então senti a necessidade de fazer algo além de conversar e conversar. Um projeto interdisciplinar! Foi o início da ideia de Igualdade na Diversidade.
Vou relatar aos poucos e, não necessariamente, em ordem cronológica algumas atividades que fizeram parte deste projeto:
§ Vídeo: Vista minha pele, Joel Zito Araújo - esse vídeo é muito interessante para iniciar uma discussão em sala de aula e, ao mesmo tempo, de maneira sublime, espeta o dedo na ferida. Ao narrar um episódio que poderia ser corriqueiro na vida de um@ pré-adolescente negr@ (participar de um concurso escolar, no caso, o Miss Festa Junina, mas que poderia ser a Miss Primavera, ou qualquer outro) e as implicações internas (autoestima, autoaceitação, autoconfiança), entre os colegas e na família, o vídeo possibilita que se discuta sobre o processo de" integração" do negro na sociedade de classes e o racismo na atualidade. Sério? Sim, dá sim! E partindo de situações bem cotidianas e fáceis de tranpor para um panorama mais amplo. A história tem como pano de fundo, um contexto bem inusitado: as relações raciais estão invertidas - o Brasil tem como classe dominante, os negros, que escravizaram os brancos africanos séculos atrás e estes ainda se encontravam em situação social muito desfavorável, povoando as favelas e totalmente fora dos meios de comunicação. A televisão mostrava lindos artistas negros e negras, que a sonhadora Maria (aluna branca e pobre, bolsista em colégio particular repleto de estudantes negr@s, que não consegue ser aceita pela turma, filha de uma faxineira do colégio) tenta imitar. Faz tranças em seus cabelos loiros e acaba sendo motitvo de chacota, pois seu "cabelo mole" não tem jeito... (http://www.recantodasletras.com.br/resenhasdefilmes/1927430)
Bom... voltando à minha sala de aula... Exibi o vídeo como atividade disparadora e sem antecipar nada. Quando o filme terminou, silêncio! "E então, o que vocês acharam?" Mais silêncio... Até que uma aluna perguntou, direta e um tanto indignada: "Professora, porque só tem preto nesse filme?" A turma quase veio abaixo.... "Fulana, não pode falar assim... e etc. etc. etc." Em primeiro lugar, eu disse que não havia nenhum problema em falar assim, não era um xingamento ou uma ofensa, mas que geralmente usamos o termo "negros". Em segundo lugar, fiz uma pergunta: "Mas qual o problema de ter mais negros do que brancos em um filme?"

Quer saber mais? A segunda parte deste relato virá em breve...

Um comentário:

  1. Vista a minha pele é um ótimo documentário, para uma turma de jovens ele é muito estimulante mesmo.

    Fiquei curioso pelo resto da história....

    Parabéns pelo blog!

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