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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Lei 10.639/03 (Lei 11.645/08) - avanços e retrocessos

(Registro feito a partir da aula inaugural do II Curso Negro Kilombagem (História e Cultura Afro-Brasileiras e Africanas):

Muit@s professor@s até tem a prática de desenvolver trabalhos de combate ao preconceito, à discriminação e ao racismo, porém, há um obstáculo para que esta iniciativa ganhe uma dimensão mais significativa. Muitas dessas ações se dão a partir de projetos individuais para uma classe em um determinado período do ano letivo. Com o término do projeto ou mesmo com a mudança de escola dess@ professor@, todo um trabalho construído se perde (ou vai embora com "aquel@ iluminad@" para outra Unidade Escolar), pois não há iniciativas da gestão da escola para a institucionalização da lei, nem envolvimento do restante do corpo docente, até por acreditarem que em sua turma essa proposta não se faz necessária. Por incrível que pareça, há quem acredite que só quem tem alun@s negr@s precisa realizar algum tipo de trabalho sobre igualdade racial ou mesmo que @s professor@s negr@s é quem devem "levantar essa bandeira".
A lei veio para estabelecer a obrigatoriedade da temática pela instituição escolar (com o apoio das Secretarias Municipais e Estaduais de Educação), não pel@ profess@r, com o objetivo de trazer a história e a cultura afro-brasileiras e africanas para o cotidiano da escola, não para atividades pontuais como o 13 de maio ou 0 20 de novembro.
As crianças, ao serem questionadas em sua espontaneidade sobre o que a África lhe remete, relatam sobre os animais selvagens (girafas, leões e elefantes) ou mesmo a fome e doenças. Ora, onde está a surpresa? Os próprios adultos, professor@s muitas vezes, trazem em sua subjetividade as mesmas concepções!
Ações individuais não fazem com que a História e a Cultura Afro-Brasileiras e Africanas passem a fazer parte do cotidiano da escola, mas é preciso que a temática chegue ao Projeto Político-Pedagógico das escolas e assim, passe a compor o planejamento e os planos de aula d@s professor@es.
Concepções distorcidas por parte d@s professor@s, existem! Falta de informações sobre a lei, as diretrizes curriculares para a educação das relações raciais, também! Assim como também falta um olhar sensível e educado para perceber que no ambiente escolar, mesmo nas classes de Educação Infantil, ocorrem inúmeras situações preconceito. Sim, por parte de professor@s e alun@s! Sim, as crianças também reproduzem o preconceito aprendido em seus lares, meios de comunicação e até mesmo nas "inocentes" histórias infantis onde tudo o que é branco é puro e belo, o que é escuro, representa o mal, o feio...
Enfim... é só a pontinha do iceberg...

Em breve, mais!

Um comentário:

  1. Com certeza, precisamos muito avançar essas questões, pois infelizmente ainda na Escola se trabalha somente com datas comemorativas, conteúdos como se fossem objetos que cada um tem que ter sua caixa...enquanto não abrirmos as portas, janelas e portões das escolas para o Mundo... e não mostrarmos que por de trás de TUDO que ensinamos existe uma grandeza maior, e essa grandeza se chama VIDA, e que não basta apenas ensinarmos a ler o texto escrito, porque o grande texto é a Vida, é o Mundo é a Humanidade que está ai diante de nós e da qual fazemos parte,teremos como reflexo essa sociedade, esses resultados que nos envergonham diante de tantos recursos e tecnologias, que caminho segue a Educação Brasileira?! Devemos repensar, rebuscar muita coisa que Vovó dizia...

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